Chefe Viajante e epicurista

Hermínio Costa

Tem o mar e o porto de pesca da Póvoa de Varzim como vizinhos há duas décadas. E não há como passar-lhe ao lado. Nem quer. O respeito do chefe Hermínio Costa pelo autêntico reflete-se na sua cozinha, mas não a  limita.  O percurso andarilho ampliou-lhe a paleta de sabores e aguçou-lhe a curiosidade.

Hermínio Costa nasceu em Angola, na pequena cidade de N’Dalatando, local onde o pai possuía uma peixaria. Cresceu entre o perfume e o sabor das muambas, muzongué, ginguba e das pitangas, mas, invariavelmente, à mesa eram-lhe servidos os sabores e os aromas da cozinha transmontana, por imposição da mãe, natural de Torre de Moncorvo.

Aos 15 anos, com a descolonização, veio para Portugal. Quando chegou o tempo de escolher uma profissão comprometeu-se com a vocação que cedo a mãe e a avó materna lhe adivinharam: ser cozinheiro. Frequentou a Escola de Hotelaria do Porto, núcleo de Vidago, e seguiu vida profissional em cozinhas de prestígio do Porto: Hotel Meridien, A Porta Nobre, Hotel Infante Sagres, Grande Hotel da Batalha. Continuou a estudar, em França e na Bégica, aperfeiçoando saberes específicos.

Cozinheiro chefe do Casino da Póvoa desde 1996 e do restaurante Egoísta desde a sua inauguração, em 2009, Hermínio Costa é viajante e eremita. Dessa dualidade e contraste nasce a sua cozinha. Única. De origem, informada e criativa.